13/02/25 14h22

Setor da construção civil, em Campinas, tem expectativa de crescer 3%

Se a meta for atingida, será o quinto ano seguido de alta do segmento

Correio Popular

A construção civil prevê crescer 3% na região de Campinas em 2025, chegando ao quinto ano seguido de alta, apesar da alta da taxa de juros, tornando os financiamentos imobiliários mais caros, de acordo bom balanço divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas no Estado de São Paulo (SindusCon-SP). O último ano de queda foi em 2020, marcado pelo início da pandemia de covid-19, quando a retração do Produto Interno Bruto (PIB) do setor foi de 2,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo assim, a queda ficou abaixo da estimativa inicial, que era de 6,3%. 

De acordo com o vice-presidente de Economia do SindusCon, Eduardo Zaidan, o desempenho deste ano ainda será influenciado pelos bons resultados de 2024, quando a alta foi de 4,4%. Isso em função das obras contratadas tendem a ser finalizadas, mesmo diante das mudanças no cenário econômico. Segundo o diretor da Regional Campinas sindicato, destaca, o desempenho da construção civil tem sido influenciado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, voltado a incentivar a construção de imóveis para as famílias de baixa renda.

No caso de Campinas, ele ressaltou que o lançamento da Cohab Digital, há dois meses, pode impulsionar novos empreendimentos. Ela é uma a plataforma 100% online voltada a modernizar e desburocratizar a tramitação de Empreendimentos Habitacionais de Interesse Social (EHIS) e às áreas de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). A previsão é reduzir em 20% o tempo de aprovação dos projetos. "Com isso, a probabilidade desses números do Minha Casa, Minha Vida serem mais altos em 2025 é muito grande", afirmou Márcio Benvenutti.

Reflexos

A microrregião formada por cinco municípios - Campinas, Hortolândia, Indaiatuba, Sumaré e Valinhos - teve entre janeiro e setembro do ano passado os lançamentos de empreendimentos colocaram no mercado 9.417 novas unidades habitacionais, somando um investimento de RS$ 3,87 bilhões. Desse total, Campinas foi responsável por 42%, ou seja, 3.971 unidades, movimentando R$ 2,06 bilhões.

Nessas cidades, o Minha Casa, Minha Vida teve uma participação de 31% nos lançamentos de novos projetos. Segundo o Secovi, a microrregião fechou setembro com 53% dos imóveis ofertados entre preço inferior a R$ 230 mil até R$ 500 mil. Do total, 48% eram do programa habitacional do governo federal, com 44% tendo até 45 metros quadrados (m2) e 22% entre essa metragem e 65 m2. Outros 14% dos imóveis tinham entre 66 e 85 m2, 11% entre 86 e 130 m2 e 9% acima desse tamanho.

O desempenho da construção civil levou o setor a fechar 2024 com a criação de 4.797 novos empregos com carteira assinada na Região Metropolitana de Campinas (RMC), formada por 20 municípios, de acordo com os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O setor foi o terceiro maior gerador de novas vagas, com participação de 18,02% do total de 26.616 postos criados. Ele ficou atrás apenas do segmento de serviços, com 13.037 empregos, e indústria, 6.584. Este à frente do comércio, que abriu 3.277 vagas, e da agricultura, o único a fechar 2024 com saldo negativo, com o fechamento de 1.029 postos de trabalho.

Na carteira

"Tem bastante serviço, a construção civil está contratando muito", comemorou o operador de cremalheira Oziel Leandro Ferreira. Ele é um dos trabalhadores beneficiados com o desempenho do setor nos últimos anos. Desde 2022, ele atua na construção de um condomínio com 408 apartamentos do Minha Casa, Minha Vida no Jardim Pacaembu, em Campinas. Oziel Ferreira se lembra como foi fácil conseguir uma vaga após deixar o emprego em outra obra. "Deixei o currículo num dia e no outro já me chamaram", contou.

Os apartamentos de 43,57 m2, com um ou dois dormitórios, têm preço a partir de R$ 267,88 mil e são voltados para famílias com renda de até R$ 5,5 mil. O condomínio oferece garagem coberta, espaço gourmet, pet place, sala de ginástica, para games e espaço kids. A previsão é de conclusão no final do próximo ano.

Nas proximidades, no Jardim Ipaussurama, outra construtora iniciou as obras de outro empreendimento do Minha Casa, Minha Vida. Ele tem apartamentos de 40,65 m2, com dois quartos e uma vaga para carro, O condomínio contará ainda com espaço de lazer incluindo piscina, playground e área goumert com churrasqueira, além de espaços para piquenique e relax. Esses empreendimentos estão próximos do campus 2 da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, do Hospital PUC-Campinas e de um shopping center.

No bolso

O carpinteiro Isaias Vitor está trabalhando em uma obra há dois meses, conseguindo uma nova vaga rapidamente. "Fiquei uns três meses desempregado", disse. Ele aproveitou esse tempo para resolver questões particulares e conseguiu a nova vaga poucos dias após voltar a procurar uma colocação. A oferta de vagas resultou também em salários melhores. De acordo com o Caged, o salário médio dos admitidos na construção civil na RMC foi, no final de 2024, de R$ 2.229,92, valor 8,63% maior em relação a média geral, R$ 2.052,63.

Em Campinas, é ainda superior, chegando aos R$ 2.464,59. A diferença é de 21,18% em relação aos R$ 2.033,90 pagos, na média, em por todos setores na cidade. O município começou 2025 com anúncio de novos empreendimentos habitacionais. Na segunda-feira (10), a prefeitura divulgou a assinatura de um contrato com a Caixa Econômica Federal para a construção de 320 unidade habitacionais, no Jardim do Lago Continuação, em uma área de 20 mil m².

O investimento será de R$ 65,4 milhões, sendo R$ 54,04 milhões do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), gerido pela Caixa, e R$ 10,9 milhões da prefeitura, por meio da doação do terreno. Ela fará ainda a infraestrutura, como redes de água, esgoto e energia. Já uma das maiores construtoras do país anunciou o investimento de R$ 85 milhões em um bairro planejado com 470 mil m² às margens da Avenida John Boyd Dunlop, onde deverão ser construídas 5 mil unidades residenciais. "Já entregamos mais de 13 mil chaves na região e estamos atuando para desenvolver ainda mais a cidade. Um em cada 30 moradores de Campinas vive em um prédio da empresa", afirmou o vice-presidente Comercial e Marketing da construtora, Thiago Ely. 

Sinal de alerta

Apesar da previsão de crescimento, o vice-presidente de Economia do SindusCon, Eduardo Zaidan, avaliou que 2025 "e realmente um cenário de alerta". Para ele, o principal desafio é o aumento da taxa de juros. H á duas semanas, a Selic, a taxa básica, foi aumentada em 1 ponto percentual pelo Conselho de Política Monetária (Copom), chegando aos 13,25% ao ano, o maior nível desde setembro de 2023.

Foi o quarto aumento seguido desde agosto passado, quando a taxa era de 10,5%. Além disso, o órgão do Banco Central renovou a sinalização de outro aumento de 1 ponto percentual no próximo mês. "Se tiver elevação de juros muito alta, vamos ter postergação de investimentos privados e de concessões, o que vai gerar uma diminuição do ritmo de atividade mais para a frente", afirmou Eduardo Zaidan. Segundo ele, esse quadro pode ser ser visível a partir do segundo semestre.

Ele apontou ainda outros fatores que podem impactar a cadeia da construção, entre eles o preço das commodities do setor, como aço e cimento, o câmbio e a inflação, com os juros podendo afetar a oferta de crédito. Porém, o vice-presidente da Economia do sindicato afirmou ter algumas variáveis que podem ajudar a manter o desempenho do setor em 2025 e nos próximos anos. Para ele, a principal é o programa de concessões do governo do Estado, que preveem grandes investimentos na construção civil e podem ser um "fator de crescimento", se forem concretizados.

 

Fonte: https://correio.rac.com.br/campinasermc/setor-da-construc-o-civil-tem-expectativa-de-crescer-3-1.1623694