01/10/07 11h42

Scania marca início do teste de ônibus a etanol em SP

Valor Econômico - 01/10/2007

O ônibus urbano movido a etanol fabricado pela Scania será testado no Brasil a partir de 23 de outubro, em São Paulo. O chassi e o motor foram enviados da Suécia, onde fica a matriz da montadora, mas poderão ser produzidos na fábrica de São Bernardo do Campo se houver demanda suficiente para o modelo, admitiu o gerente de assuntos institucionais da empresa, Henrique Senna. A carroceria está sendo construída pela Marcopolo, de Caxias do Sul (RS). A Scania tem capacidade para produzir 20 mil motores por ano no Brasil e a introdução do novo modelo exigiria poucos investimentos nas linhas atuais, disse Senna. De acordo com ele, as dimensões são as mesmas dos equipamentos a diesel e não há necessidade de adaptação do chassi nem da carroceria. O teste será realizado durante um ano no corredor Jabaquara-São Matheus da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e também em linhas da SPTrans. A avaliação do ônibus a etanol, que foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na visita que ele fez à Suécia em setembro, será coordenada pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), ligado à Universidade de São Paulo (USP) e ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O projeto inclui ainda a Unica, que fornecerá o etanol, a sueca Sekab, que produz o aditivo necessário para a ignição do motor a álcool, a Petrobras, que fará a importação do insumo, e a BR Distribuidora. Conforme Senna, o consumo do etanol supera em 60% a 70% o do diesel, mas o combustível renovável é mais barato, proporciona o mesmo desempenho para o motor e tem a grande vantagem de reduzir drasticamente as emissões. Considerando todo o ciclo de produção do álcool, desde o plantio da cana-de-açúcar, a liberação de dióxido de carbono cai pelo menos 90%, enquanto no caso do óxido de nitrogênio, que ataca o sistema respiratório, a redução é de 60%, comparou o executivo. Na Suécia, onde o ônibus a álcool roda desde 1989, os cálculos apontam um custo operacional apenas 3% superior ao dos modelos a diesel. Em Estocolmo o combustível renovável já abastece 20% da frota de 2 mil veículos e pode chegar a 100% até 2020, informou o executivo. Em outras cidades suecas há mais 200 unidades movidas a etanol em circulação.