Produção industrial de Sorocaba segue a tendência nacional e registra crescimento
Alta reflete na geração de empregos, em novos investimentos e nas exportações
Cruzeiro do SulA produção industrial no Brasil cresceu 3,1% em 2024 na comparação com 2023, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com base em dados do IBGE. Apesar do avanço anual, houve queda de 0,7% em novembro e 0,3% em dezembro. Em Sorocaba, o cenário acompanhou a tendência nacional. O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Erly Domingues de Syllos, afirma que a indústria local também cresceu no ano passado, refletindo na geração de empregos, em novos investimentos e no aumento das exportações — subiram 3,95% em 2024.
“É um número altamente expressivo. O nosso principal cliente de exportação é a Argentina, depois os Estados Unidos e o Paraguai. Então, exporta muito. Você tem melhoria na geração e na movimentação da indústria, bem como na geração de emprego”, explica, acrescentando que o crescimento foi registrado ainda em 2023 e até mesmo em 2021 durante a pandemia de Covid-19.
De acordo com o levantamento nacional, o crescimento do setor foi impulsionado pela indústria de transformação, que registrou alta de 3,7%. Este resultado foi influenciado, sobretudo, pela recuperação dos segmentos de bens de capital e bens de consumo duráveis, que avançaram 9,1% e 10,6% no ano, respectivamente.
Erly destaca que a indústria de transformação também é o principal setor em Sorocaba. Como o nome sugere, este tipo de indústria atua na transformação de matérias-primas em produtos acabados.
“O plástico, você transforma em um para-choque de carro. O aço, você transforma em parafuso, em para-lama, em estrutura de um automóvel, de um trator”, exemplifica. “A Toyota, a ZF e a Schaeffler são empresas de transformação. Então, a grande parte das indústrias de Sorocaba é de transformação, ou seja, que pegam uma matéria-prima e transformam em um produto final.”
Veículos automotores
Ainda segundo a análise, 20 dos 25 setores pesquisados registraram crescimento em 2024. A principal influência positiva veio do ramo de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 12,5%. Este setor também se destaca em Sorocaba, considerado o segundo maior polo de fabricação de autopeças do Brasil, como ressalta o diretor regional do Ciesp.
“A exportação do ano passado, que foi de 3,95% em Sorocaba, foi puxada, principalmente, pelos setores automotivos, ou seja, uma fabricante de carros de Sorocaba não só exporta como vende carros para o mercado nacional de alta tecnologia. Soma-se a isso as peças que compõem o carro, que nós chamamos de autopeças. Essas peças vão nos automóveis, nos carros, nos tratores e em outros equipamentos de modo geral.”
Expectativas para 2025
Sobre as quedas sazonais registradas em novembro e dezembro de 2024 no cenário nacional, Erly aponta a cautela dos empresários diante do contexto político do País. Segundo ele, fatores como a política industrial e o déficit nas contas públicas influenciam o cenário econômico.
“Uma série de questões políticas está sendo analisada e isso, de modo geral, tira um pouquinho aquela ênfase do empresário de investir em novos negócios, de abrir um novo negócio. Então, o pessoal está um pouco com o pé no chão”, comenta.
Para 2025, o futuro da indústria segue incerto. O diretor regional do Ciesp atesta que o desempenho do setor dependerá do relacionamento do Brasil com o comércio exterior. Ainda assim, a expectativa é de que o município continue colhendo bons resultados.
“Sorocaba é uma casa fora da caixinha, ou seja, a movimentação sempre tem apresentado bons resultados, mesmo com dificuldade, crise, pandemia. Isso se deve a muitos fatores. A gente vem plantando toda essa colheita há vários e vários anos. É mão de obra qualificada, é uma interação muito forte do setor industrial, representado pelo Ciesp, junto com o poder público, junto com as faculdades, universidades, colégios técnicos, Senais, para verificar, inclusive, o que o mercado está precisando, de profissionais, de mão de obra qualificada e a gente faz um trabalho lincando a oferta e a demanda”, conclui.