09/06/10 11h30

Pré-sal levará o Brasil à Opep, diz cartel

Folha de S. Paulo

O crescimento da produção de petróleo, se ocorrer como prevê o governo, credenciará o Brasil a se tornar membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). A afirmação é do diretor-geral do cartel para a Arábia Saudita, Majid Al-Moneef, que esteve ontem no Rio. A expectativa de Al-Moneef se baseia nas previsões do governo de que, antes de 2020, o Brasil passará a exportar 2,2 milhões de barris diários de petróleo, graças aos reservatórios do pré-sal.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, em abril o Brasil exportou, em média, 608 mil barris por dia e importou 423 mil - saldo de 185 mil barris. Em conjunto, os países da Opep exportam 25 milhões de barris por dia. "Uma das premissas para se tornar integrante da Opep é ser um grande exportador. O Brasil poderá ser, mas ainda não é. A maioria das projeções mostra a produção crescendo dramaticamente. Quando isso ocorrer, o país estará apto. Depende dele", disse Al-Moneef, no Rio.

Liderada pela Arábia Saudita, que tem um terço das reservas mundiais de petróleo, a Opep reúne 12 dos países com maiores reservas. A maioria está no Oriente Médio, mas há integrantes de outros continentes, como a Venezuela. O grupo impõe política de preços e volumes de produção aos integrantes, com o objetivo de pressionar o mercado mundial. Para integrar o cartel, diz Al-Moneef, o Brasil terá que acatar as regras da associação, que impõe, por exemplo, limites de exportação e preços aos associados. Hoje o Brasil produz 2 milhões de barris diários, volume próximo ao consumido internamente. Parte da produção é exportada -o parque petroquímico não processa o tipo de óleo hoje predominante nos campos, mais pesado. O país importa óleo leve e combustível.

Para o consultor David Zylbersztajn, sócio da DZ Negócios em Energia e ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, querer entrar na Opep é "um ufanismo bobo". "A Opep já controlou 70% da produção mundial. Hoje, controla só 30%. Não sabemos que força a entidade terá nos próximos anos, em um mundo que busca desesperadamente por fontes alternativas ao petróleo por razões geopolíticas e ambientais." Considerado a maior autoridade mundial em energia e autor do livro "O Prêmio - a Busca Épica por Petróleo, Dinheiro e Poder", o economista Daniel Yergin disse que o papel do país no G20 (que reúne as principais nações do mundo) cresceria consideravelmente caso entrasse para a Opep.