11/04/10 11h07

Cresce interesse chinês no trem-bala brasileiro

O Estado de S. Paulo

O interesse chinês na construção do trem de alta velocidade entre Rio, São Paulo e Campinas estará entre os principais temas a serem tratados pelo presidente Hu Jintao no encontro que terá com seu colega Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, em Brasília. A China está empenhadíssima em ganhar a disputa, o que poderá transformar o Brasil em um "showroom" para promover a exportação de seus trens rápidos. "Todas os representantes do governo chinês com quem me encontrei falaram dessa questão. Eles consideram isso uma prioridade", disse o ex-secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil China e sócio da Strategus Consult, Rodrigo Maciel, que encerrou há duas semanas uma viagem de 35 dias ao país asiático.

De seu lado, Lula vai ressaltar o interesse brasileiro em manter as operações da Embraer na China. A empresa pretende fabricar no país seu avião de grande porte, o E190, e renegocia a parceria que tem desde 2002 com a estatal Avic, formada originalmente para a fabricação na China dos aviões ERJ-145, de até 50 lugares. Mas, na sexta-feira, a perspectiva de que um acordo fosse alcançado durante a visita parecia remota. Se as duas partes não se entenderem, a Embraer poderá encerrar suas operações na China no próximo ano.

Com custo estimado em R$ 34,6 bilhões (US$ 19,2 bilhões), a construção do trem de alta velocidade será uma das obras públicas mais caras já realizadas no Brasil. Os chineses disputarão o projeto com países que têm tradição na construção e operação do trem, como Japão, França e Alemanha.  A expectativa de integrantes do governo brasileiro é que a China será bastante agressiva em sua oferta de preço, o que pode forçar os concorrentes a também reduzirem as propostas. Outra vantagem do país asiático é a farta oferta de financiamento a baixo custo, em um momento de retração das fontes de recursos nos países desenvolvidos.