Brechós crescem 8,5% e impulsionam economia circular
Jornal de JundiaíO setor de moda segue em alta no mercado brasileiro de franquias, com um crescimento de 8,5% em 2024, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Entre os modelos de negócio que se destacam nesse cenário estão os brechós, que deixaram de ser apenas uma alternativa econômica para se consolidarem como uma tendência sustentável e rentável.
A chamada moda circular vem conquistando espaço no guarda-roupa dos brasileiros. De acordo com o Boston Consulting Group, roupas adquiridas em brechós representavam 12% do vestuário nacional em 2024, e a expectativa é que esse número suba para 20% este ano, movimentando R$ 24 bilhões. O crescimento do segmento reforça a importância da economia circular, reduzindo o desperdício têxtil e incentivando o consumo consciente.
Danielle Capiberibe, franqueada de um brechó em Jundiaí, percebeu essa mudança de comportamento entre os consumidores. “Antes, havia um preconceito com brechó, mas agora as pessoas aderiram à ideia e entendem a evolução do conceito”, afirma. Ela destaca que o aumento no número de lojas reflete uma nova percepção da sociedade sobre o consumo. "Os brechós são vistos como espaços que oferecem peças de extrema qualidade a um preço acessível, além de oferecerem um destino rentável para itens que antes seriam simplesmente descartados." A franquia que administra possui mais de 17 anos de mercado e, em Jundiaí, conta com duas unidades – a do centro, inaugurada há sete meses.
Para os consumidores, os brechós também se tornaram uma opção vantajosa. Pâmela Rodriguez, mãe de duas crianças, de três anos e sete meses, conta que inicialmente tinha receio de comprar roupas de segunda mão. "Sempre tive um certo preconceito, mas comecei a ouvir relatos positivos de colegas de trabalho sobre brechós de roupas femininas", relembra. O contato com a Cresci Perdi, uma franquia especializada em roupas infantis, a fez mudar de ideia. "Fui conquistada pela propaganda nas redes sociais e resolvi conhecer a loja. A organização e a qualidade das peças me surpreenderam – tudo limpo, etiquetado, como se fosse novo", relata. Desde então, tornou-se cliente fiel, aproveitando também a possibilidade de vender peças usadas e utilizar o crédito em novas compras. "O custo-benefício vale muito a pena, principalmente para roupas de crianças, que perdem tamanho rapidamente", acrescenta.
Além do fator econômico, os brechós são aliados da moda consciente e do estilo pessoal. Tabata Galhardo, consultora de imagem e estilo, é uma grande entusiasta desse mercado. "O que mais me atrai em brechós é a oportunidade de adquirir peças de alta qualidade por um preço interessante. Cerca de 70% do meu acervo veio de garimpos", conta. O envolvimento com o segmento começou cedo, quando precisou montar um guarda-roupa formal para o primeiro emprego com um orçamento reduzido. "Com R$ 25, consegui comprar peças essenciais para os primeiros meses. Sem os brechós, eu não teria roupas adequadas para trabalhar", relembra.
A relação de Tabata com o consumo mudou ao longo dos anos. "Passei de um período de escassez para um consumo exagerado, mas a soma da terapia com a formação em consultoria de imagem me ajudou a enxergar o desapego de outra forma", explica. Hoje, ela incentiva suas clientes a garimpar em brechós e até vender peças que não usam mais. "Ter um retorno financeiro pode ser um ótimo motivador para dar lugar ao novo – que nem sempre precisa ser tão novo assim!", conclui.
Com o avanço da moda circular e a crescente aceitação dos consumidores, os brechós seguem se fortalecendo no Brasil, impulsionando a sustentabilidade e transformando o mercado de moda.